O Brasil aprovou recentemente o plantio e a venda de uma variedade de trigo geneticamente modificado, conhecido como HB4, desenvolvido pela empresa argentina Bioceres. A semente é resistente à seca e ao agrotóxico glufosinato de amônio, e é a segunda nação, depois da Argentina, a aprovar uma variedade para este fim.
A HB4 é uma semente de trigo geneticamente modificada com o gene HaHB4, proveniente da planta de girassol e resistente à seca. Além disso, a variedade é resistente ao agrotóxico glufosinato de amônio, herbicida aprovado no Brasil que mata plantas daninhas, quando é usado no início do plantio.
Os agricultores brasileiros agora vão poder plantar a semente no país, o que é uma oportunidade de aumentar a produção brasileira. Historicamente, o Brasil sempre dependeu da importação para conseguir abastecer o mercado interno com trigo. Por esse motivo, produtores nacionais veem na liberação da HB4 uma oportunidade de avançar na produção.
No entanto, a liberação gerou reações diversas. Mais de 10 organizações da sociedade civil, entre elas Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Associação Brasileira de Agroecologia (ANA), pediram ao Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) para barrar a liberação e a importação do cereal transgênico. Essas associações alegaram que houve violações no processo de aprovação e que há falta de estudos sobre os perigos à saúde e ao meio ambiente.
As preocupações levantadas pelas organizações da sociedade civil são compreensíveis, já que o uso de transgênicos ainda é um assunto polêmico. No entanto, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), vinculada ao Ministério da Ciência, responsável por analisar a segurança do alimento para a saúde humana e meio ambiente, afirma que a liberação foi feita após pesquisas.
Os estudos conduzidos pela Bioceres mostram que a HB4 é uma variedade segura para o consumo humano. Além disso, a semente pode reduzir o uso de agrotóxicos e o impacto ambiental causado pela agricultura. A Bioceres também afirma que a variedade pode aumentar a produtividade e a resistência das plantas à seca.
A HB4 já foi aprovada para consumo humano na Austrália, Argentina, Nova Zelândia, Indonésia, África do Sul, Colômbia, Nigéria e Estados Unidos. A variedade tem sido usada em vários países desde 2012 e é considerada segura para consumo humano.
Além disso, a pesquisa em trigo transgênico tem sido conduzida em vários países da Europa há vários anos. Um estudo conduzido na Itália em 2016 mostrou que o trigo transgênico resistente à seca aumentou a produtividade em 12%. Outro estudo conduzido na Espanha em 2018 mostrou que o trigo transgênico resistente à seca e à salinidade aumentou a produtividade





