Com grandes empresas alertando para um cenário de caos persistente. Os preços atingiram níveis recordes devido à invasão da Ucrânia pela Rússia e às sanções contra a Bielorrússia, que comprometeram significativamente o fornecimento mundial.
As principais fabricantes globais de fertilizantes preveem que a crise de abastecimento que abalou o mercado se estenderá além de 2022. As sanções e o isolamento comercial da Rússia e da Bielorrússia têm potencial para criar impactos duradouros, uma vez que reconstruir a capacidade de exportação da região e encontrar novos fornecedores levará tempo.
A Nutrien, maior empresa de fertilizantes do mundo, está considerando acelerar seu aumento na produção de potássio para lidar com a situação. O CEO, Ken Seitz, afirmou que as interrupções provavelmente durarão além de 2022. A empresa canadense planeja aumentar a produção em cerca de 1 milhão de toneladas, sendo a maior parte prevista para o segundo semestre deste ano.
A escassez de fertilizantes também pode remodelar o mercado global de insumos agrícolas e aumentar a incerteza sobre a confiabilidade do suprimento. A dependência da Rússia e da Bielorrússia, que respondem por aproximadamente 40% da produção e exportação globais de potássio, está levando empresas como a Nutrien e a Mosaic a buscar alternativas.
A Mosaic, outra importante produtora de fertilizantes, prevê que o mercado de potássio permanecerá extremamente apertado no futuro próximo. O CEO Joc O’Rourke estima que o problema pode persistir por dois anos e que levará mais dois a quatro anos para recuperar o déficit.
Diante desse contexto, a crise de fertilizantes traz preocupações significativas para os países do BRICS. As incertezas no mercado global podem impactar a disponibilidade e os preços dos fertilizantes, afetando a produção agrícola e a segurança alimentar.
Os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) também são afetados pela escassez de fertilizantes e enfrentam desafios adicionais diante da crise global. A dependência da Rússia como um dos principais produtores e exportadores de fertilizantes, especialmente potássio, torna esses países particularmente vulneráveis.
A necessidade de importar fertilizantes de outros países fora da região do BRICS, como Bielorrússia, Canadá, China e outros, torna-se ainda mais crucial para garantir o suprimento necessário para a produção agrícola. No entanto, com a atual crise de fornecimento, a busca por alternativas e a diversificação de fontes de fertilizantes se tornam urgentes.
Além disso, a instabilidade dos preços dos fertilizantes e a incerteza em relação à disponibilidade a longo prazo podem ter impactos econômicos significativos nos setores agrícolas dos países do BRICS. Isso requer uma resposta estratégica e coordenação entre os governos e as indústrias agrícolas para mitigar os efeitos negativos.
No contexto da Câmara de Comércio BRICS Mercosul, é fundamental que a cooperação entre os países seja fortalecida para enfrentar os desafios relacionados ao fornecimento de fertilizantes. A busca por parcerias comerciais e acordos bilaterais que facilitem o comércio de insumos agrícolas, incluindo fertilizantes, se torna ainda mais relevante.
Nesse contexto, é importante acompanhar de perto a evolução da crise de fertilizantes, suas repercussões nos países do BRICS e as medidas tomadas para garantir a segurança e a sustentabilidade do agronegócio nesses países.





