BRICS Pay, Moedas Locais e a Nova Realidade do Mundo Multipolar
Por Nelson Hoppe
Presidente da Câmara de Comércio do BRICS e MERCOSUL – UE
Atuante em mais de 60 países
BRICS Pay é verdade?
Sim, o BRICS Pay é um projeto real, em discussão e desenvolvimento no âmbito do BRICS.
Mas é fundamental esclarecer:
-
Não se trata de uma moeda única.
-
Não substitui o dólar.
Trata-se de um sistema de pagamentos digitais transfronteiriços.
O objetivo é permitir que países do bloco e parceiros realizem transações utilizando moedas locais, reduzindo custos de conversão e a dependência de sistemas centralizados.

O que é o BRICS Pay, na prática?
O BRICS Pay é um ecossistema digital de pagamentos, inspirado em experiências como o Pix, criado pelo Banco Central do Brasil.
A proposta é simples e estratégica:
Um brasileiro paga em reais.
Um indiano recebe em rúpias.
Um chinês recebe em yuans.
Sem necessidade obrigatória de intermediação pelo dólar.
É importante destacar que isso não significa ruptura imediata com o sistema financeiro global, mas sim a criação de alternativas complementares, fortalecendo a soberania econômica.

Moedas locais e a posição do Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido publicamente o uso de moedas locais no comércio entre países do BRICS, reconhecendo que a substituição do dólar não é simples nem imediata, mas que o debate é legítimo.
Essa posição não é ideológica: é estratégica.
Reduz custos, amplia a autonomia e fortalece relações comerciais mais equilibradas.

O mundo mudou — e continua mudando
Por mais de 50 anos, o sistema global operou sob uma lógica predominantemente unipolar, com forte centralidade nos Estados Unidos e no G7.
Hoje, a realidade é diferente:
-
O crescimento econômico está concentrado no Sul Global.
-
Novos polos financeiros surgem na Ásia, no Oriente Médio, na África e na América Latina.
-
O comércio Sul-Sul ganha protagonismo.
-
O Novo Banco de Desenvolvimento amplia alternativas de financiamento.
O BRICS+ representa mais que um bloco — representa uma reconfiguração do equilíbrio econômico global.
Diplomaticamente falando, a Câmara de Comércio do BRICS e MERCOSUL entende que é seu dever institucional acompanhar e cooperar com essa transformação, mantendo postura construtiva, multilateral e voltada ao desenvolvimento.

O mundo está, simbolicamente, com um aviso:
“Sob Nova Administração”.
Empresários e gestores públicos não podem continuar operando com a mentalidade de 50 anos atrás.

Por que prefeitos, governadores, parlamentares e empresários precisam olhar para o BRICS+?
1️⃣ Porque o mercado mudou
O consumo, os investimentos e as cadeias produtivas estão se expandindo fortemente para:
-
Ásia Central
-
Oriente Médio
-
África
-
América Latina ampliada
Ignorar isso é perder competitividade.

Reunião da Câmara de Comércio do BRICS e MERCOSUL – UE na Prefeitura de Manaus – AM
2️⃣ Porque novas fontes de financiamento surgem
O Novo Banco de Desenvolvimento e fundos soberanos do Oriente Médio e da Ásia oferecem recursos para:
-
Infraestrutura
-
Energia limpa
-
Saneamento
-
Tratamento de resíduos
-
Tecnologia
-
Agroindústria
-
Logística
-
Saúde
-
Educação
-
Digitalização
Municípios e estados que se posicionarem primeiro terão vantagem.

Reunião da Câmara de Comércio do BRICS e MERCOSUL – UE na Assembléia Legislativa do Paraná -PR
3️⃣ Porque quem senta à mesa decide — quem apenas observa reage
Num mundo multipolar, decisões estratégicas estão sendo tomadas agora.
Dirigentes de entidades, federações, indústrias e cooperativas precisam:
-
Antecipar tendências
-
Estabelecer presença institucional
-
Criar conexões estratégicas
O papel da Câmara de Comércio do BRICS e MERCOSUL – UE
A Câmara atua como ponte institucional e empresarial entre mais de 60 países.
Sua importância estratégica:
-
Garantir lugar à mesa de negociações, em vez de assistir às decisões de fora.
-
Fornecer informação estratégica.
-
Realizar o fechamento direto de parcerias, acordos e negócios.
-
Viabilizar aportes, investimentos e financiamentos internacionais.
-
Promover a abertura de novos mercados.
Acesso a dados sobre:
-
Mudanças tarifárias
-
Regulamentações
-
Acordos comerciais
-
Tendências de consumo
-
Ambientes regulatórios
-
Sistemas locais de tomada de decisão

Reunião na Sede da ACEOP Florianópolis – Assinatura do Termo de Cooperação Técnica e Comercial com a Índia
Vantagem competitiva
Enquanto concorrentes ainda focam exclusivamente na Europa e nos Estados Unidos, afiliados da Câmara já estruturam grandes parcerias e negócios na África, na Ásia e no Oriente Médio.
Redução de custos
Missões comerciais, rodadas de negócios e articulação institucional reduzem drasticamente o custo de internacionalização.
Uma nova mentalidade empresarial
O profissional, empresário ou industrial que continuar pensando apenas no eixo tradicional corre o risco de:
-
Perder mercado
-
Ficar desatualizado
-
Ficar fora de novas cadeias produtivas
-
Não acessar linhas alternativas de financiamento
O mundo não espera mais validação do Hemisfério Norte para crescer.
O Sul Global é hoje um dos principais motores da economia internacional.

Nelson Hoppe – Presidente da Câmara de Comércio do BRICS, MERCOSUL -UE palestrando no Fórum da Mulher Contabilista do Amazonas – AM – Sobre a importância do ESG e principalmente sobre a necessidade de que contadores e advogados trabalhem juntos e se qualifiquem para as gigantes oportunidades de internacionalização das empresas junto ao BRICS, MERCOSUL e UNIÃO EUROPEIA
Conclusão
O BRICS Pay é parte de um movimento maior:
A construção de um mundo multipolar, com maior equilíbrio entre as nações do BRICS+.
Não se trata de confronto.
Trata-se de diversificação, soberania e oportunidade para os países do Sul Global, que hoje exercem papel central na economia mundial.
Brasil, América Latina, Europa, Oriente Médio e Ásia têm muito a ganhar com integração produtiva, tecnológica e financeira baseada em respeito mútuo.
Têm muito a ganhar com a ampliação do comércio, da indústria, dos serviços, da infraestrutura, do turismo, do intercâmbio, da integração, da saúde, da educação, da arte, da cultura, do lazer, do entretenimento e do esporte.
A Câmara de Comércio do BRICS e MERCOSUL se posiciona como instrumento técnico e institucional para:
-
Integrar mercados
-
Gerar emprego e renda
-
Atrair investimentos estrangeiros
-
Promover desenvolvimento sustentável
-
Auxiliar prefeitos, governadores e chefes de Estado em seus objetivos
-
Auxiliar profissionais liberais, empresários, industriais e investidores
O novo mundo já está em curso.
A Nova Ordem Mundial Multipolar do BRICS+ já está aí.
A escolha agora é simples:
Assistir à mudança…
Ou participar dela.
Por Nelson Hoppe
Presidente da Câmara de Comércio do BRICS e MERCOSUL – UE
Atuante em mais de 60 países





